De diversas partes, e repetidamente, foi expresso o desejo de poder dispor de elementos de reflexao e sugestoes práticas com o fim de ajudar os pais e os educadores na tarefa de sensibilizarem as crianças e os adolescentes para os problemas colocados, ao seu nível, pela constante presença da imagem em movimento, e em particular do cinema, que celebra 100 anos. Sabemos que este desejo concorda com a solicitaçao expressa na Instruçao Pastoral "Aetatis Novae", que considera um dever propor a formaçao para um sentido crítico, animado da paixao pela verdade num compromisso de defesa dos valores. Isto significa que é indispensável um esforço educativo para os meios de comunicaçao social, no nosso caso específico, para o cinema, que insista de modo particular na relaçao com os valores (cf. AN, nn. 13, 24 e 28).
Para responder a esta expectativa constituiram-se grupos de especialistas provenientes de vários países. Os grupos propoem aqui esboços de trabalho e de reflexao adaptados às diferentes idades. Notar-se-á a preocupaçao dominante que animou os grupos de redacçao: o direito fundamental da criança a encontrar na própria vida, para além do pao quotidiano e de um ambiente sadio, os valores da existência capazes de garantir o seu desenvolvimento integral, em conformidade com as suas aspiraçoes mais profundas. Entre estes, é necessário destacar os valores espirituais e religiosos, que exprimem a relaçao do homem com Deus, e que atingem o seu ápice na fé, na esperança e na caridade, reveladas plenamente ao homem em Cristo Jesus. A criança tem o direito de conhecer estes valores, para orientar a sua liberdade e as suas escolhas responsáveis, e a Igreja tem o dever, nao menos rigoroso, de Ihes fazer conhecer tais valores, mediante os instrumentos de que dispoe, entre os quais se encontram os "mass-media"; neste processo, estao directamente envolvidos tanto os pais como os educadores.
Por outro lado, é evidente que os textos aqui propostos, que abrangem diversos níveis de idade, empenho, meios e participaçao, devem ser repensados e adaptados segundo a mentalidade... e as possibilidades locais de realizaçao. Aqui e alí, os fascículos ou as fichas de apresentaçao poderao ser ilustrados com imagens ou com desenhos reunidos nas publicaçoes do país. Noutros lugares, as iniciativas sugeridas--palavras cruzadas, cantos, concursos, etc.--poderao ser enriquecidas no lugar. Pareceu-nos oportuno nao descurar elementos de reflexao, também para ajudar os grupos de adultos a tornarem-se mais conscientes do alcance desta celebraçao e das reponsabilidades e possibilidades a este respeito. Eis, portanto, a lista dos textos que compoem o documento anexo:
1. Um texto de introduçao, preparado pela Professora Luciana Della Fornace, Vice-Presidente da AGIE Escola, (Associaçao Geral Italiana do Espectáculo) com uma reflexao referente às várias chaves de leitura e abordagens críticas dos conteúdos do meio cinematográfico. O ideal seria que cada responsável pela formaçao elaborasse as suas próprias fichas de formaçao que considere úteis para um desenvolvimento cognitivo e psicológico adaptadas aos seus destinatários, de acordo com as circunstâncias culturais e ambientais.
2. Uma proposta clara, simples e fácil de realizar, preparada por um grupo de peritos da Universidade Católica do Uruguay, na qualidade de colaboradores do "Plan Deni", para a formaçao de crianças e jovens no campo da comunicaçao social na América Latina. Depois de uma apresentaçao destinada aos educadores, propoem-se esquemas para:
a) crianças dos 6 aos 9 anos;
b) adolescentes dos 10 aos 13 anos;
c) jovens dos 14 aos 18 anos.
3. Uma proposta algo mais complexa, onde sao aprofundados determinados valores, tendo em vista alcançar um conhecimento e fazer uma análise mais completa do meio audiovisual, de que o cinema faz parte, com o fim de conseguir a maturidade pessoal.
Esquema dos elementos catequéticos propostos:
1. Crianças até aos 6 anos: para pais e educadores;
2. Crianças dos 7 aos 10 anos: para pais e educadores;
3. Adolescentes dos 11 aos 14 anos: para adolescentes e educadores;
4. Jovens em geral;
5. Jovens dos 15 aos 18 anos: para jovens e educadores;
6. Para os círculos de pais;
7. Para os grupos de adultos.
Por outro lado, em todos os canais públicos e privados, a televisao prefere a ficçao (esquecendo o seu específico, ligado à contemporaneidade do acontecimento abordado): por conseguinte, a televisao transmite filmes em série, telenovelas e, sobretudo, filmes de todos os períodos históricos (calcula-se que, só na Itália, através de todas as televisoes, todos os dias sao transmitidos três mil filmes).
E o facto de as nossas crianças e os nossos adolescentes poderem ver no mesmo dia, por exemplo, dois programas, num dos quais se afirma e defende um princípio, enquanto que no outro se combate e nega esse mesmo princípio (pense-se na figura do apache Jerónimo, desde sempre descrito de maneira ridícula pelo cinema dos Estados Unidos e hoje reabilitado pelo lindo filme de Walter Hill), nao pode deixar de provocar nelas confusao, e nao só em relaçao ao que se pode ver numa relaçao meio televisivo--meio cinematográfico, mas mesmo apenas em relaçao ao meio televisivo.
O filme, em meu entender, nao pode portanto ser considerado exclusivamente como uma emanaçao da sociedade que o construiu num determinado período histórico.
Este problema nao se apresenta no cinema, porque os filmes mantêm-se normalmente durnate uns oito meses nas salas de cinema, para depois se transformarem em "home video" e, sucessivamente, passarem à televisao.
É necessário, portanto, estar mais atentos à quantidade de mensagens que os nossos jovens recebem através do meio televisivo, mensagens que Ihes transmitem nao só uma quantidade de erros de gramática na alfabetizaçao da linguagem audiovisual, mas também uma série confusa, e às vezes, contrastante e contraditória, de sensaçoes e conhecimentos.
Quais poderiam ser os elementos didáctico-operativos para contrastar esta situaçao?
A) Uma ulterior sensibilizaçao dos pais a fim de que controlem o mais possível a aproximaçao dos seus filhos ao meio televisivo;
B) O uso das fichas filmográficas por parte dos educadores e dos professores.
A FICHA FILMOGRAFICA
Por ficha filmográfica entende-se a ficha informativa que contém todas as informaçoes sobre o filme, relativas ao elenco técnico-artístico, à sinopse, às bibliografias dos actores e dos intérpretes e aos artigos de crítica sobre a obra. Geralmente, esta ficha é mais útil para o professor, no caso, por exemplo, de ele levar a sua turma a ver um filme numa sala cinematográfica ou em video, para depois dialogar com os alunos sobre a obra que viram.
Existem, porém, outros tipos de fichas que se poderiam definir de aprofundamento em relaçao à mensagem captada pelo aluno. Tais fichas sao:
A) a ficha cognitiva;
B) a ficha psicológica;
C) a ficha sociológica;
D) a ficha de carácter geral.
A) A ficha cognitiva, que pode ser aplicada a crianças desde a terceira classe do ensino primário até aos jovens das escolas superiores, colocando as seguintes perguntas:
1) nome e características do protagonista;
2) nome e características do deuteragonista (personagem secundária);
3) nome e características do antagonista;
4) definiçao das personagens de contorno;
5) funçao e presença (e nao) da massa;
6) ambientaçao;
7) final.
O final pode ser considerado como:
-positivo = presença de gratificaçao e satisfaçao individual;
-semi-positivo = presença de gratificaçao social e ausência de satisfaçao individual;
-negativo = ausência de gratificaçao social e de satisfaçao individual.
É evidente que as respostas podem ser mais ou menos complexas (conforme a idade); contudo, através desta ficha, começa-se a dar ao jovem espectador alguns elementos críticos de descodificaçao que ele, a pouco e pouco, aplicará durante a visao de outros programas, deixando de receber passivamente a mensagem.
B) A ficha psicológica, geralmente aplicada aos espectadores mais jovens, coloca algumas brevíssimas perguntas que exigem respostas igualmente breves, nas quais a criança nao se sinta envolvida ou examinada, e transmita impressoes e opinioes extremamente próximas daquilo que pensa.
Exemplos:
a) Define com cinco adjectivos a personagem de que mais gostaste.
b) Encontraste na personagem negativa (no mau) um só elemento positivo (alguma coisa de bom)?
c) Depois de os adolescentes (ou as crinças) terem visto pelo menos três programas audiovisuais, mandá-los identidicar as características, comuns e diferentes, dos três protagonistas (ou dos três antagonistas): a sua coragem, o seu sentido de amizade, o seu respeito pelos outros, etc.
C) A ficha sociológica, dedicada aos adolescentes com mais idade, consiste numa pesquisa sobre o período histórico ou sobre o âmbito social nos quais se desenrola a história do filme, para estabelecer se ela foi abordada de forma correcta (a objectividade nao existe) e, no caso de isso nao ter acontecido, como e, possivelmente, porque é que (segundo a opiniao de cada um) foi construída uma "falsa" narraçao.
D) A ficha de carácter geral, destinada aos alunos mais crescidos, para além do aprofundamento das situaçoes fílmicas com base na ficha cognitiva, e do estudo aprofundado através da ficha sociológica, verifica "ab origine" o texto fílmico, com base em elementos que podem ser muito diversos: no caso de o filme ter derivado de um livro ou de uma obra teatral, a relaçao entre os dois autores; quando se tiver tratado de um facto histórico, como e porque é que o autor decidiu dedicar-se a ele (Spielberg e o seu filme "A Lista de Schindler", por exemplo); se a obra se baseia num episódio de crónica, que elementos desse episódio foram respeitados e quais nao foram, e se isso, segundo a opiniao de cada um, aconteceu por escolha ou por exigências de realizaçao.
As motivaçoes podem ser tantas e, ao fim, os educadores e os professores estarao na posse de textos elaborados pelos alunos, que terao valor de exercício, mas que poderao também tornar-se elementos úteis para aprofundar o conhecimento dos mesmos alunos.
Estas exercitaçoes podem ser feitas mediante videocassetes, (o que vale para os professores), como exercício para fazer em casa, mandando os alunos sintonizar-se num determinado dia com um canal específico para ver um filme ou ainda, preferivelmente, levando os jovens a uma sala de cinema, e mandá-los depois elaborar, partindo do texto, uma das fichas apresentadas.
Segundo a minha opiniao, é oportuno incluir também os exercícios específicos da mensagem audiovisual, de modo que as nossas crianças, os nossos adolescentes e os nossos jovens aprendam a "viver", em vez de absorverem passivamente os próprios conhecimentos, através dos media que usam a linguagem envolvente da imagem em movimento, da palavra falada e da música, o mais próximo da realidade, mas nao a Realidade.
Prof.a Luciana Della Fornace
Vice-Presidente da Associaçao Geral Italiana
do Espectáculo (AGIE) - Sector Escolar
Poe-se porventura a candeia debaixo do alqueire ou debaixo da cama? Nao é para ser colocada no velador? Porque, nada há escondido que nao venha a descobrir-se.
Nós apercebemo-nos de que quando Jesus ensinou, proclamando a "Boa Nova" da Salvaçao, procurou valorizar a vida quotidiana e transmitir uma mensagem, utilizando técnicas ou formas narrativas que tornassem a história agradável e, por isso, facilmente aceitável.
Por exemplo, Jesus conhecia os pescadores e falava com eles do Reino de Deus através de parábolas que faziam referência à vida quotidiana, de maneira simples, directa e com numerosas imagens e descriçoes próximas da experiência deles.
Podemos colocar estas realidades em relaçao com a moderna experiência cinematográfica, uma maravilhosa invençao que celebra 100 anos, um meio que permitiu ao homem moderno aproximar-se de experiências distantes e, de outra forma, impossíveis de alcançar; também a mensagem evangélica Ihe foi transmitida com particular transparência.
Considerando que também o cinema pode ser veículo de mensagens negativas, é necessária uma preparaçao que permita colaborar e favorecer os verdadeiros valores, separando o grao da palha.
APRESENTAÇAO
Aos educadores
A proposta que segue faz referência aos filmes destinados tanto às salas de cinema como à televisao, aos contos de grupo e aos valores que o Evangelho apresenta (servindo-se muitas vezes de contos).
Como se pode observar, o objectivo do trabalho é chegar ao confronto dos valores. O mesmo fim pode-se atingir através de um duplo processo: os valores presentes nos filmes poderao de facto ser confrontados, por uma lado, com os do grupo e, por outro, com os valores evangélicos.
Como trabalhar com os valores?
No contexto da pós-modernidade é normal que um grupo de crianças, e sobretudo de adolescentes, possa recusar alguns valores, quando estes se apresentam de forma abstracta. Por vezes, falando de abnegaçao ou de solidariedade, pode acontecer que os jovens reajam de maneira defensiva.
Sem dúvida, estes valores sao tidos em grande consideraçao pelo grupo, quando se inserem num contexto de testemunho, de factos concretos, de histórias de vida, etc. Os jovens podem ser surpreendidos a defender a abnegaçao quando a encontram numa personagem que admiram, numa história na qual se projectam, ou numa circunstância que conhecem.
Em todos os casos pode-se trabalhar, tendo em conta três níveis:
1) O conto: fazemos referência a filmes, histórias ou mitos que o grupo extrai do seu próprio ambiente e da pópria vida quotidiana.
Escolher-se-ao os filmes que forem interessantes para ver depois de um diálogo. Para algumas faixas de idade, propomos que se realize um conto com imagens e som: portanto, através da linguagem cinematográfica. Neste último caso será importante o diálogo que se estabelece sucessivamente .
2) A técnica utilizada: quer na análise do filme escolhido para a discussao, quer nas dinámicas criativas usadas para dar vida às narraçoes, é oportuno recorrer aos meios didácticos que empreguem tanto a imagem como o som.
3) Captar a mensagem: reconhecendo os valores que ela contém, é um passo determinante para a afirmaçao de determinados valores relativamente a outros.
Aqui sugerem-se apenas alguns modelos. Cada educador poderá alterar ou realizar as combinaçoes e extensoes que as circunstâncias e a própria criatividade tornarem possíveis.
Quanto mais possibilidades dermos às crianças de elas se exprimirem e escutarem aquilo que experimentam ao verem um filme ou na sua relaçao com a vida real, mais possibilidades elas terao de de exercitar o próprio juízo, codificar as mensagens, confrontar-se com modelos e procurar juntos novos significados. Finalmente, damos-lhes a oportunidade de crescerem numa liberdade de espressao e de afirmaçao dos valores humanos e cristaos.
Objectivos gerais
* descobrir os valores que um conto poe em relevo, confrontando-os com os evangélicos.
Evidenciar os valores apresentados nos contos, prestando atençao às reacçoes do grupo.
* Convidar a fazer a análise dos filmes, partindo da recepçao que se realiza em cada grupo.
Identificar o impacto de um filme e observar os recursos da linguagem cinematográfica que provocam este impacto na criançajovem e no seu grupo.
* Estimular a criaçao de histórias próprias por parte do grupo, no qual se analisem os valores que o grupo considera prioritários.
Metodologia
A proposta tem como opçao pedagógica uma aptidao crítico-participativa, evidenciando as experiências de aprendizagem e percepçao da realidade, através do uso da dinámica que, em muitos casos, é usada pelos meios audiovisuais.
A metodologia será caracterizada pela actividade e pela participaçao de todo o grupo:
-favorecendo a expressao. o intercâmbio de ideias e a afirmaçao da pessoa no grupo;
-servindo-se do jogo, que desperta interesse e ajuda a elaborar e a incorporar os conceitos;
-motivando a pesquisa e a experimentacao;
-partindo de experiências pessoais perante a realidade cultural (a tomada de consciência da situaçao e as interrogaçoes sobre factos e condiçoes que se apresentam nos meios audiovisuais conduzem a um atitude mais crítica);
-promovendo o confronto de experiências e conhecimentos e criando novos valores perante os "Media", através da discussao de grupo e a partilha, que ajudam a obter uma visao mais ampla e levam ao enriquecimento com outras experiências.
As crianças e aos iovens
HOJE NOS PROPOMOS
Compreender porque é que gostamos das histórias da televisao.
Contar as nossas histórias usando técnicas divertidas.
Descobrir a mensagem das narraçoes.
Aos educadores de adolescentes dos 6 aos 9 anos
Objectivos:
* Saber que a imagem e o som provocam emoçoes e sentimentos.
Descobrir as diferentes funçoes do televisor na própria vida, com particular atençao ao fenómeno da "ama-seca electrónica", reconhecendo os seus limites.
Confrontar as provocaçoes e as funçoes da televisao com as dos grupos de referência (família, escola, paróquia, etc.).
* Provocar o desenvolvimento das qualidades perceptivas e a sensibilizaçao para compreender os matizes artísticos, o impacto da imagem mediante a cor, a luz, a composiçao, unidas ao ritmo e à musica.
* As personagens dos relatos e dos desenhos animados estao geralmente divididos em duas partes: por um lado, os bons; por outro, os maus. Discutir esta divisao, confrontando-a com a vida real e a proposta crista.
Exercícios:
1. Ver juntos um filme ou um desenho animado
Dialogar sobre quanto se viu:
Gostaram daquilo que vimos?
De que parte gostaram mais? Pedir que descrevam o mais exactamente possível a imagem e o som usados. Se nao se recordarem, voltar a ver o filme.
O que acontece na história narrada? Verificar que, na resposta, as crianças distingam a própria interpretaçao, os sentimentos que a história provoca e o que realmente se vê no filme. Por exemplo, uma criança pode dizer "e caiu", mas no filme ouviu-se somente um forte ruído e nao se viu a queda.
Como nos sentimos enquanto vemos a história? Se o grupo tem dificuldade em exprimir os próprios sentimentos pode-se formular a pergunta de modo impessoal: como se sentem as crianças quando vêem qualquer coisa como isto?
Porque é que vêem determinados filmes? Aprofundar, partindo das respostas (por exemplo, no caso de "Tom e Jerry"), se o vêem para se divertirem, explicando: "neste caso as crianças divertem-se quando vêem o pequeno rato que prega partidas ao gato grande".
Nalguns grupos ou faixas de idade, poder-se-á chegar a exprimir os valores expressos.
2. Ouvir uma música
Discutir sobre a importância da música para provocar sentimentos e reaçoes, servindo-se de músicas de vários filmes e, com um processo inverso, partindo de diferentes músicas, imaginar em que situaçoes podem ser utilizadas.
3. Trabalhos à escolha para os mais pequenos
-Dar à criança um tempo no qual possa prestar atençao aos sons que o circundam, no jardim, no parque, em casa.
-Convidá-la a observar com "novos olhos" aquilo que vê todos os dias e, assim, captar os detalhes que antes nunca tinha considerado.
-Mandá-la brincar com caixas fechadas, contendo diversos objectos e materiais (botoes, bolas de bilhar de vidro, etc.), pedindo-lhe que distinga a que coisa corresponde o som provocado, movendo as caixas.
Aos educadores de adolescentes dos 10 aos 13 anos
Objectivos
* Dar valor ao ambiente ao redor, comparando os protagonistas da ficçao com as personagens reais.
* Convidar a descobrir os elementos da linguagem cinematográfica, conscientes da sua força em provocar emoçoes.
* Evidenciar que, em cada focalizaçao ou enquadramento feitos pelo realizador de um filme, houve a intençao de mostrar o que é seleccionado e de eliminar o resto.
Exercícios
1. Descoberta de heróis reais.
Pode-se propor a compilaçao em conjunto de uma lista de personagens, de heróis mundiais ou nacionais, incluindo os "heróis" que nos circundam hoje, como por exemplo um avô, uma pessoa próxima, uma personagem do bairro, etc.
Fazer perguntas sobre as características principais destas personagens.
É importante a descoberta de valores, tais como o respeito, o amor, a abnegaçao, que geralmente nao estao presentes nos heróis com os quais os jovens entram em contacto nas várias séries televisivas e no cinema. Sugere-se que se confrontem esses valores e se discuta sobre eles.
Ilustrar a vida de Jesus e o seu modo de nao fazer discriminaçoes.
2. Fabricar uma própria máquina fotográfica de cartao com a abertura e a janela sobre os dois lados opostos.
Olhar através dela dá a ideia do campo visivo limitado de uma câmara, que obriga a realizar uma selecçao.
Propôr uma selecçao de enquadramentos de um mesmo lugar, com intençoes diversas (por exemplo: mostrar a sua beleza ou indicar aquilo que deve ser melhorado). Pôr em comum os quadros seleccionados e discutir sobre a intençao de cada conjunto de fotos. Recordar que uma máquina fotográfica nunca poderá mostrar tudo.
Uma pesquisa no bairro, um simples passeio pela praça "com a máquina fotográfica pronta a disparar" transforma-se numa experiência fascinante de descoberta. Para aqueles que têm uma máquina fotográfica, esta experiência pode culminar na realizaçao de uma própria montagem de diapositivos.
3. Trabalho alternativo
Ver juntos um filme breve, ou a apresentaçao das personagens no inicio de um filme. Discutir depois sobre esta apresentaçao.
Quais foram as imagens que mais me interessaram, e porquê?
A resposta pode levar à descoberta de um primeiro plano que indique uma hierarquizaçao ou a funçao de um recurso ao sonoro.
Ver só o início da película permite ver como o realizador apresenta os protagonistas e as suas principais intençoes. Verificar a que é que ele recorre para continuar a história.
Aos educadores de jovens dos 14 aos 18 anos
Objectivos
* Apronfundar a análise do filme e a consciência da própria capacidade receptiva, com uma atençao especial ao confronto dos valores.
* Reflectir sobre os valores particulares do grupo, através da análise de uma história apresentada pelo próprio grupo.
* Considerar a influência dos meios no futuro dos jovens.
* Favorecer o conhecimento dos códigos da linguagem audiovisual, através de uma realizaçao em video.
Exercícios:
1. Escolher em grupo um filme actual e vê-lo juntos.
Promover uma discussao sobre os temas do filme e sobre os valores que propoe. O diálogo poderia iniciar com uma análise da capacidade receptiva, e terminar com o confronto da vida quotidiana do grupo com as sugestoes do filme e com os valores do Evangelho.
2. Propor ao grupo a criaçao e a realizaçao de uma história própria que reflicta as próprias preocupaçoes ou as suas fantasias.
Traduzir a narraçao em imagens e som, servindo-se também de cartazes, cançoes ou video.
Apresentar o trabalho a outros grupos.
Finalmente, confrontar os valores expostos na história com os dos "media". Avaliar as possíveis influências.
3. Propor uma pesquisa sobre a figura de um homem ou mulher na qual os jovens se projectam, e sobre as suas expectativas quanto ao futuro, através de uma pesquisa (que pode ser realizada em video).
Analisar os resultados obtidos, confrontando-os com a figura de um homem ou de uma mulher apresentados pelos meios audiovisuais.
Afirmar os próprios valores.
Seria muito interessante poder realizar estes exercícios em vídeo, servindo-se da linguagem cinematográfica. Estar atrás da máquina leva a pensar e a reflectir sobre cada filmagem, para poder transmitir uma sensaçao, uma emoçao, uma problemática. É importante dialogar sobre esta maneira de usar o meio audiovisual.
* De serenidade:
A evangelizaçao atinge o seu "optimum" no momento da alegria.
* De paz:
"Cada criança é uma PESSOA, isto é, uma criatura dotada de inteligência e de vontade livre, um sujeito de direitos e de deveres que brotam imediata e simultâneamente da sua mesma natureza: direitos e deveres que sao por isso universais, invioláveis, inalienáveis" (Pacem in terris).
... este é o início de uma educaçao para a paz que, só se obtém se os adultos tomarem consciência dos próprios deveres, e se a criança gozar dos próprios direitos.
* De afecto:
O sentido da Vida e do Amor que conduz à alegria provém sempre do "casal" (Pai e Mae).
* De beleza, de verdade, etc.:
Os autênticos Valores sao a "Caridade, a alegria, a paz, a paciência, a benignidade, a bondade, a fidelidade, a mansidao, a temperança" (Gál. 5. 22-23).
Experiências de amor, de alegria, de perdao, de serenidade, de confiança nos outros, de pequenos serviços, de respeito pelas coisas alheias, de obediência...
* De descobrir a dimensao espiritual e sobrenatural:
É através do comportamento dos pais, e do seu modo de viver o amor recíproco, que a criança é levada a descobrir o sentido de Deus-Amor, de confiança n'Ele, da sua paternidade...
--O mundo da criança é rico em imagens, percepçoes, sentimentos, em forças escondidas que lentamente vêm à superfície..., em admiraçao pela natureza, pelo homem...
--Basta um olhar, um sorriso, uma voz, um cançao... para colocar a criança em comunicaçao com o mundo.
--A comunicaçao da mensagem efectuada hoje lança as bases de futuras intervençoes educativas e de futuras atitudes para consigo mesmas, para com o próximo, e para com Deus.
--As primeiras "descobertas" e os primeiros sentimentos de admiraçao perante as coisas, as pessoas, os animais, ... sao os primeiros passos na direcçao da presença de Deus. Neste periodo delicado da vida, é necessário oferecer às crianças a possibilidade de esboçarem um caminho de liberdade.
II. POR CONSEGUINTE:
--É aqui que se lançam as bases da sua personalidade, ainda incapaz de distinguir e de julgar. . .
--as bases da sua vida de fé e de caridade...
--e, finalmente, a imagem age sobre elas, com toda a potência oculta.
Nós, os educadores, devemo-nos interrogar:
--Com que critério escolhemos os programas cinematográficos?
--Quando e por que motivos levamos as crianças ao cinema?
--Que tipo de literatura infantil compramos para elas?
--Ajudamo-las a "reflectir" segundo as suas possibilidades?
--Já alguma vez reflectimos que deixar o rádio e a televisao ligados com o volume no máximo pode abalar os seus nervos? E que uma audiçao, ou visao incontroladas dos programas, pode afastálas dos valores espirituais, "bombardeando-as" com imagens que exaltam os "nao-valores"?
--Rodeamo-las de coisas belas?
--Educamo-las, com todos os meios ao nosso dispor, no sentido da beleza, da harmonia, da paz, do respeito e do amor pelos outros, nos quais se encontram a bondade e a paternidade de Deus?
2. Crianças dos 7 aos 10 anos
--A vossa criança é "plasmada" por aquilo que vê e sente.
--Assimila sem que a razao intervenha.
--Possui uma grande intuiçao e habitua-se com os adultos a interpretar a linguagem audiovisual.
--Por outro lado, se nao tiver sido educada para ir além do sinal, dificilmente capta a mensagem transmitida, porque a leitura da mensagem é um processo de síntese e de interiorizaçao
(1).Nas transmissoes televisivas, onde a imagem é menos eloquente e bem acabada do que a cinematográfica, mas mais simples, está mais próxima da vida de todos os dias, e mais capaz de interpelar o homem, levando o a comprometer se através de uma análise do real, oferece se uma ocasiao preciosa para iluminar a vida quotidiana segundo a mentalidade de Cristo.
No filme é necessário saber ler e avaliar a imagem, a coluna sonora, o enredo e amensagem.
Nas cançoes é preciso saber descobrir e interpretar a música, a letra e a mensagem.
Na imprensa (jornais e revistas para crianças, histórias aos quadradinhos, etc.) oferece-se a melhor ocasiao de escolha daquilo que é belo e bom, contra o desvalor da violência, do sexo, do egoísmo, etc.
II. NOS, OS EDUCADORES, QUE FAZEMOS?
--Estamos conscientes da nossa responsabilidade quanto à escolha dos programas (TV, rádio, cinema) que os nossos adolescentes vêem?
--Que fazemos para as introduzir na leitura dos sinais e dos símbolos (dos filmes, da televisao, da música, da imprensa)?
--Seguimos com eles as transmissoes televisivas para podermos depois trocar impressoes sobre elas, ou deixámo las sozinhas?
--Com que critério escolhemos as revistas para elas e as que deixamos ao seu alcance em casa?
--De que modo as ajudamos a amadurecer o sentido de liberdade crista nas escolhas e a verificar a mensagem dos instrumentos de comunicaçao social com a mensagem de Cristo?
III. SUGESTOES PRATICAS PARA OS EDUCADORES
Para ajudar as crianças a descobrir e a assimilar os conceitos acima mencionados, poderiam ser úteis algumas formas de actividade, tais como, por exemplo:
a) Explorar, numa composiçao escrita ou ilustrada graficamente, o próprio parecer das crianças sobre os aspectos positivos ou negativos dos instrumentos de comunicaçao social para a sua idade;
b) Construir esquemas de palavras cruzadas sobre os valores dos instrumentos de comunicaçao social;
c) Analisar atentamente uma transmissao dedicada às crianças, e fazer uma crítica objectiva (é válida, negativa, amoral, propagandística?);
d) Seguir um espectáculo televisivo e propor depois às crianças que construam um outro semelhante, sobretudo nos aspectos positivos que tenham encontrado no espectáculo que viram;
e) Reconstruir, através de imagens e música escolhida livremente, uma parábola do Evangelho;
f) Fazer uma colagem sobre o tema da caridade (ou da verdade), com figuras tiradas das histórias aos quadradinhos (por exemplo, em Itália, do "Rato Michey");
g) Responderem ao seguinte questionário: (2)
1. Quais sao os programas da TV que vês mais frequentemente?
Porquê?
Que valores positivos encontras neles?
E que valores cristaos?
Que é que nao desejarias ver na TV?
Se fosses realizador da TV, que proporias?
2. Que filmes viste nos útimos três meses?
Com quem?
Quando?
A que personagens vistos desejarias assemelhar-te? Porquê?
Há algum filme que te tenha incutido medo? Porquê?
Que filme nao desejarias ver mais?
3. Que cançoes te agradam mais?
Porquê?
Sabes que cada cançao encerra uma mensagem? Procuras descobri la?
(Enumera 10 cançoes com a respectiva mensagem)
Porque é que te agrada a música?
Ouves música sozinho ou em companhia? Porquê?
4. Quais sao os jornais para crianças que lês mais frequentemente?
Porquê?
O que é que encontras neles de positivo?
E de negativo?
Quais deles te ajudam a viver melhor como cristao? E quais os que ajudam menos?
Quais sao os que desejarias nao ter lido nunca?
3. Para adolescentes dos 11 aos 14 anos
Motivaçao da escolha do tema: O pré adolescente é sensível a este valor concreto, "a amizade", considerada como aspecto de valor espiritual: O BEM.
Objectivo: De modo adequado às possibilidades do pré-adolescente, conduzi-lo a uma análise da imagem como meio de transmissao de mensagens e também de afirmaçao ou negaçao de valores, procurando despertar o seu sentido crítico para a "civilizaçao da imagem", na qual é chamado a viver, e de facto já vive (4)
. II. DESENVOLVIMENTO
Prevê se que esta catequese seja desenvolvida em três momentos, cada um dos quais tem um fim bem determinado mas, ao mesmo tempo, com uma certa unidade lógica, em funçao do objectivo geral.
a) Primeiro momento
Objectivo: Tomar consciência, explicitamente, de que A IMAGEM FALA e transmite mensagens.
Método: Análise directa, por meio de duas ou três figuras bem escolhidas, que exprimam o valor da amizada, ou neguem (figuras escolhidas do material "fotografias simbólicas").
Na análise das figuras será necessário proceder por cinco etapas, a saber:
-Ver a imagem como se ela nao fosse figurativa;
-Ver a imagem como suscitadora de conceitos;
-Ver a expressao da imagem;
-Tomar consciência dos efeitos da imagem sobre si mesmo;
-Comunicar com o grupo (cf. O audiovisual e a fé, p. 143).
b) Segundo momento:
Objectivo: levar cada um a dar-se conta, explicitamente de que através da imagem, o homem afirma ou nega valores.
Método: De um grupo de pré-adolescentes, formem-se dois e convide-se cada um deles a construir, com as fotografias escolhidas de revistas, jornais, etc., um cartaz que exprima aquilo que, para eles, é A AMIZADE. As fotografias usadas para a formaçao do cartaz devem ser numeradas. O grupo, sob a orientaçao do catequista, escolhe algumas delas e constrói o cartaz. Preparados os cartazes, procede se ao confronto dos mesmos: cada grupo exprima a sua opiniao acerca do cartaz do outro grupo e, por sua vez, explique a interpretaçao que o próprio grupo atruibui ao próprio cartaz.
c) Terceiro momento: Objectivo: Fazer com que cada um se dê conta explicitamente de que, na vida quotidiana, a imagem influi fortemente sobre a (própria) escala de valores e, por conseguinte, sobre a formaçao da própria personalidade humano crista.
Método: Estudo crítico sobre o valor AMIZADE numa "história aos quadradinhos": (5) Como é afirmado esse valor? Como é negado? Quais sao as reacçoes comummente provocadas? Que influência exerce o mesmo valor sobre a própria vida de cristao?
N.B. Material auxiliar:
-- Figuras da colecçao "fotografias simbólicas";
-- Ficha do catequista, com as sugestoes orientadoras e os questionários relativos à análise das figuras, ao confronto dos cartazes e à crítica da "história aos quadradinhos".
III. FICHA PARA O CATEQUISTA
a) Primeiro momento
: 1. Orientar os adolescentes enquanto fazem a análise das figuras através das cinco fases indicadas;
2. Suscitar a reflexao e a interpretaçao das figuras, mediante duas ou três perguntas apropriadas;
3. Chegar a uma troca de ideias sobre as figuras, fazendo salientar as contribuiçoes mais significativas.
b) Segundo momento:
1. Observar discretamente o trabalho dos grupos e aceder a dar qualquer colaboraçao que seja pedida, mas sem assumir a direcçao do trabalho;
2. Orientar o confronto dos cartazes mediante oportunas intervençoes;
3. Fazer uma síntese final do confronto, exprimindo um juízo crítico formativo sobre a autêntica amizade crista.
c) Terceiro momento:
1. Sugerir um ou dois critérios para a análise crítica da "história aos quadradinhos" (filme, programa televisivo, etc.);
2. Ajuizar com eles os elementos, ou os episódios que chamarem particularmente a sua atençao;
3. Levá los a um juízo valorativo da própria atitude de adolescentes cristaos perante a amizade. Promover, com esse fim, a revisao de vida e o empenho pessoal.
4. Para os jovens em geral
A partir das últimas cinco semanas que precedem o Dia Mundial das Comunicaçoes Sociais, seria oportuno pôr no ar uma série de breves programas televisivos semanais dedicados aos jovens, que tenham em conta também os pais.
Um catequista, religioso ou leigo, na presença de um grupo de seis jovens, poderia desenvolver a leitura de um trecho da Sagrada Escritura, passando sucessivamente à explicaçao conduzida através do diálogo com eles, integrado eventualmente com perguntas, breves representaçoes, música, etc. Uma oportuna preparaçao neste sector of ereceria, além do mais, a ocasiao para uma actividade directa no campo dos "mass media".
Indirectamente, tanto os jovens como os pais, tornar se-iam conscientes das possibilidades que a televisao oferece no plano religioso. Os jovens poderiam ser escolhidos no âmbito de uma paróquia de uma determinada localidade, sem antecipadamente comunicar qual será o grupo da semana seguinte, de modo a favorecer o elemento surpresa, que exerce sempre um notável poder de atracçao. O grupo poderia ser preparado pelo mesmo catequista.
Um programa local é mais apreciado do que uma transmissao a nível nacional, porque desperta um interesse mais imediato. Esta sugestao poderia constituir uma óptima premissa para a sensibilizaçao da comunidade para o Dia Mundial das Comunicaçoes Socias.
II. PALAVRAS CRUZADAS
As palavras cruzadas despertam sempre interesse em todos, em todas as idades. A ideia é muito simples e oferece um amplo espaço para ser enriquecida e adaptada aos vários ambientes. Por conseguinte, esta ideia pode ser elaborada com base no actual contexto espiritual, caracterizado pela difusao dos "mass-media", e aplicada ao Dia Mundial das Comunicaçoes Socias.
As palavras cruzadas constituem também um bom sistema para aproximar os jovens uns dos outros; em prática, podem representar um autêntico "questionário", capaz de promover discussoes.
III. CONCURSOS MUSICAIS
Razoes fundamentais: propomos que uma parte das iniciativas para o Dia Mundial das Comunicaçoes Sociais seja reservada à música.
Actividades: a mensagem espiritual de uma cançao "ao vivo" pode interesasr aos grupos de todas as idades.
1. Escolher um bom compositor, capaz de escrever a música e as palavras de uma cançao relacioanda com o tema deste dia: a nível nacional ou diocesano.
2. Organizar um concurso de canto.
Tema: "Os mass-media e a afirmaçao e promoçao dos valores espirituais" (com notas explicativas).
Requisitos:
--palavras e música para guitarra (ou piano, etc.);
--limite de idade, ou divisao em grupos, segundo as idades; --limite de tempo;
--escolha do lugar.
Prémios: em relaçao à idade e aos interesses individuais dos grupos: guitarra, gira discos, gravador, etc.
A composiçao deverá ser apresentada com a devida publicidade na catedral, por ocasiao do Dia Mundial das Comunicaçoes Sociais.
5. Para jovens dos 15 aos 18 anos
Suscitar no jovem a capacidade crítica indispensável para que ele possa descobrir valores espirituais nos meios de comunicaçao social.
Pensamos que os meios de comunicaçao social possam servir para a afirmaçao e promoçao de valores espirituais, desde que os nossos jovens assumam, perante eles, uma atitude activa e pessoal.
As presentes orientaçoes propoem-se suscitar essa capacidade. Nao se deve, portanto, pretender ver nelas mais do que um modo de despertar nos jovens a capacidade de avaliaçao crítica e, por conseguinte, um comportamento que faça com que os meios audiovisuais sejam assumidos nos seus valores positivos.
II. TEMA:
O tema a ser aplicado que escolhemos como exemplo, é o do homem-tipo, o homem-modelo, tal como nos é proposto pelos meios audiovisuais.
Em vez deste tema, podiam-se ter escolhido muitos outros, desde que correspondam aos interesses dos jovens.
Eis alguns:
| a liberdade o amor a amizade a diversao a mulher o homem o dinheiro |
o matrimónio a violência os conflitos o risco o corpo o trabalho a comunidade |
o desporto o racismo a religiosidade a fome a guerra ... ... |
|---|
III. PRIMEIRO EXERCICIO:
Montar um cartaz com imagens (fotografias, postais, ...) que reproduzam diversos homens tipo, tais como os apresentam as revistas, os anúncios, o cinema, a TV...
Convém que esse material seja fornecido pelos mesmos jovens.
Simples exposiçao de todas estas imagens: no quadro de uma escola, no cartaz...
2. Conhecimento do "Meio" audiovisual
A sociedade reflecte se nas imagens que os meios audiovisuais Ihe oferecem. Por outras palavras, cada sociedade tem os meios audiovisuais que merece. É importante que o jovem verifique criticamente em que ambiente audiovisual se encontra.
Para atingir este objectivo pode-se fazer quanto a seguir se indica:
Cada jovem deverá seleccionar, do conjunto de todo o material, a imagem que vê com maior frequência aparecer nas revistas e nos anúncios do cinema (cartazes de anúncios...).
Como resultado da pesquisa precedente: calcular as escolhas de todo o grupo juvenil sobre a imagem mais vista.
Depois de ter identificado a imagem que aparece com maior frequência nos meios audiovisuais, cada jovem descubra nela as aspiraçoes, os ideais de vida do tipo de homem ou de mulher que a imagem representa. Este ponto é fundamental na análise do ffmeio" audiovisual. Cada jovem, ou seja cada grupo de jovens, poderia anotar numa folha as aspiraçoes que julga descobrir na imagem escolhida.
Estas aspiraçoes podem se exprimir através de frases como as seguintes:
1. "quero triunfar na vida";
2. "dos outros nao me importo, nem muito nem pouco";
3. "nesta vida, o que vale é o dinheiro";
4. ...
5. ...
3. Análise crista do "meio" audiovisual
Trata-se agora de fazer a avaliaçao da imagem escolhida, sob o ponto de vista cristao.
No tipo de homem representado pela imagem escolhida, que valores ou contra-valores é que os jovens descobrem?
Pode acontecer que haja um forte contraste entre a mensagem evangélica e a da imagem analisada. Este contraste far-nos-á cair na conta de qual é o "meio" cristao audiovisual que, na realidade, nos domina.
Pode-se também procurar, entre todas as imagens do cartaz, a que mais se aproxima da mentalidade crista, estudar nela os valores ou os contra-valores cristaos.
4. A pessoa perante os meios audiovisuais
Mediante a análise da imagem, convém que o grupo de jovens analise o seu comportamento normal perante a imagem.
Os jovens analisam quanto vêem e avaliam-no assim como fizeram nesta sessao?
Que consequências derivam do facto de julgar pessoal e activamente as imagens, e que frutos recolhe quem "absorve" sem mais, tudo quanto vê e ouve?
Sem dúvida, os jovens falam com os amigos sobre o que vêem... A que nível se situam tais conversas?
Qual é o homem-tipo reflectido nas imagens que os jovens têm em casa, na própria carteira, dentro dos livros?
Porque motivo as suas preferências vao para esse tipo de homem?
O mesmo processo de exame adoptado aqui para as imagens fixas, poder se ia aplicar às imagens da televisao ou do cinema, ou a imagens de homens descritas ou narrados nalguma obra literária. Assim se pode julgar o protagonista deste ou daquele filme, a determinada personagem deste ou daquele romance, de uma determinada peça ou obra teatral, etc.
IV. SEGUNDO EXERCICIO:
Para ser mais fácil, prescinda-se aqui do tema, deixando que ele surja através das cançoes que se escolherem.
1. Ponto de partida
Poder-se-ia começar com a audiçao de algumas cançoes. Conviria que elas fossem de "atmosferas" bastante diferentes; assim, poder-se-ia escutar sucessivamente uma cançao de protesto, uma de temática superficial e melodia fácil, uma cançao muito poética, etc.
2. Conhecimento do "meio" audiovisual
Ouvidas as cançoes, procede-se à análise das mesmas. Um primeiro exercício consistirá, por exemplo, na indicaçao, por parte de cada jovem, da cançao que prefere.
Chega-se assim, à formaçao de grupos, segundo as preferências. Depois, cada um desses grupos monta um pequeno cartaz, onde colocará as fotografias condizentes com a cançao que escolheu. Nesse cartaz ter se-á, pois, como que a transposiçao da cançao escolhida para a imagem.
O cartaz dá côr e evidência à cançao, e isso facilita muito a análise da mesma.
Traduzida deste modo a cançao em imagem, para os jovens constituirá uma verdadeira descoberta darem-se conta de como cada cançao evoca todo um mundo aos seus ouvidos. De facto, o mundo também se "vê" através do ouvido. A prova disso tê-la-ao no cartaz montado a partir da cançao.
Poder-se-ia agora tornar a ouvir as cançoes, sincronizando a audiçao com a visao dos cartazes construidos .
3. Análise crista do "meio" audiovisual
A luz da mensagem crista, fazer uma avaliaçao do mundo reflectido por cada cançao: que é que elas representam de positivo sob o ponto de vista cristao, e quais sao os seus aspectos negativos...
Qual das cançoes reflecte um mundo, um ambiente, um estilo de vida, mais conformes com a mensagem crista?
4. A pessoa perante os "meios" audiovisuais
Colocar as seguintes perguntas:
Agrada te algum tipo de cançao? E agrada-te porque te diz alguma coisa, ou porque te é imposta pelo ambiente?
Muitos jovens contentam-se com ligar o rádio e ouvir o que calha. Como julgar este modo de proceder? Vantagens e inconvenientes.
Quando ouves música, acompanhas a audiçao com alguma espécie de crítica?
6. Pais
Provocar uma tomada de consciência sobre a importância dos meios de comunicaçao social na vida e na educaçao dos jovens.
II. 1a ETAPA:PREPARAÇAO REMOTA
1. Comité de preparaçao, que compreende:
-Um director (directora)
-Um capelao
-Um presidente
-Um representante do grupo de professores do ciclo interessado
-Pais de alunos, etc.
2. Reuniao para reflectir sobre o funcionamento do Círculo.
Possíveis pistas a seguir:
a) finalidade do Círculo: tomar consciência da importância dos "media";
b) finalidade da reuniao preparatória:
-inventar os meios para uma tomada de consciência dos "media"; por exemplo, mediante um inquérito entre os jovens, os pais e os professores;
-fixar a data do Círculo de Pais;
-decidir se é oportuno enviar a eventuais interessados alguns fascículos, expressamente preparados para sensibilizar as famílias mediante imagens, palavras cruzadas, bandas desenhadas, etc.
-Propôr aos professores que mandem aprender a cançao eventualmente prevista.
III. 2a ETAPA:PREPARAÇAO PROXIMA (5)
1. Elaboraçao dos dados do(s) inquérito(s), por parte do mesmo Círculo e envio dos resultados a cada família, recordando ao mesmo tempo a data da reuniao do Círculo de Pais.
2. Fixar a organizaçao do Círculo (animador, secretário). Será útil também preparar um pequeno esquema de desenvolvimento, dispostos a nao utilizá lo se a discussao proceder bem e de maneira útil sobre um tema nao previsto.
IV. 3a ETAPA:REUNIAO DE PAIS
Logo que os pais receberem os resultados do inquérito, é bastante útil fazer um balanço. Pode se, por exemplo, organizar a discussao seguindo o esquema proposto pelos grupos de adultos. Será oportuno fazer depois um resumo da reuniao para os pais, recordando Ihes novamente a data em que se celebra o acontecimento.
V. SUGESTOES PARA OS INQUÉRITOS PREPARATORIOS
1. Entre os jovens:
Façam-se per untas concretas:
-Quantas horas por semana dedicas à televisao?
-Que revistas ou semanários ilustrados preferes?
-Tens uma máquina fotográfica?
-Quantas vezes por mês vais ao cinema? etc., etc.
Perguntas traicoeiras:
-Indicar três cançoes deste ou daquele cantor em voga.
-Indicar o protagonista de um determinado filme em episódios.
-Um certo número de perguntas sobre programas televisivos dos últimos três meses.
Se o inquérito for bem conduzido, poder-se-á fazer uma pequena ideia do aproveitamento intelectual que o jovem recebe da televisao.
Perguntas de avaliacao:
-Nos últimos três meses, qual foi o programa, ou filme, que mais te impressionou? Porquê?
-Qual programa te pareceu mais objectivo (explicar o significado da palavra)? Porquê?
-Qual programa te pareceu mais útil? Porquê?
-De qual programa conservas a pior recordaçao? Porquê? Houve algum programa que te pareceu falso? Porquê?
-Houve algum que te pareceu nocivo?
-Houve programas que te ajudaram a encontrar o sentido bom da vida?
Realizando este inquérito, é necessário que ele seja fácil de avaliar e que pressuponha somente respostas breves.
2. Entre os pais
Oferecemos só algumas sugestoes para este segundo inquérito, considerando que ele é muito mais difícil. De facto, terá valor somente no âmbito de um grupo muito aberto, no qual os pais dos alunos de uma mesma turma se reúnam frequentemente para partilhar as próprias dificuldades, etc.
Todavia, é sempre possível realizar um brevíssimo inquérito, para controlar um ou dois pontos emergentes do inquérito entre os jovens. Pode-se, portanto, fazer chegar aos pais, através dos professores, uma carta que contenha um pequeno questionário para depois ser restituído:
-Quanto tempo é que o vosso filho passa em frente da televisao durante a semana? (Ter em conta, por exemplo, se a televisao está ligada durante as refeiçoes).
-Quais semanários ilustrados lê o vosso filho?
-Tira fotografias?, etc.
Pode se propor também alguma pergunta mais importante, como por exemplo:
-Um programa, um filme, uma revista, nestes últimos três meses, tiveram efeito positivo sobre o vosso filho? De que tipo?
-Suscitaram conversas em família?
-Encontrastes neles algum apoio para a educaçao crista dos vossos filhos?
3. Entre os professores:
É ainda mais difícil. Para os tranquilizar, pode-se recordar-lhes o resultado de um inquérito realizado em França, segundo o qual 75% do material pedagógico fica inutilizado.
Possíveis perguntas:
-Recorrem aos "media" nas respectivas turmas? Que tipo de "media"? Com que objectivos?
-De que apoio se servem para educar os jovens nos valores da vida? Quais valores, e como?
-Preocupam-se com a iniciaçao dos jovens na "leitura" dos "media" (segundo os critérios e valores estéticos, morais, espirituais)?
7. Grupo de adultos
1. Positivas
--A preocupaçao que aqui e além se manifesta, relativamente à objectividade na informaçao dos acontecimentos, tem um carácter espiritual (em sentido amplo). Espaço reservado às informaçoes e aos valores religiosos. Esforço feito por alguns orgaos de imprensa e noutros "media", no sentido de confiar esta rubrica a pessoas competentes, tanto do ponto de vista profissional como cristao.
--O interesse manifestado também por nao-praticantes ou nao crentes, pela imprensa crista ou por emissoes religiosas de qualidade.
2. Negativas:
--Silêncios intencionais e significativos, que visem colocar "debaixo do alqueire" os valores espirituais (para nao falar do ateísmo militante).
--Deformaçoes: em vez do essencial, olha-se para os particulares, para o que é acessório, desfavorável, o que se mostra como sensacional, extraordinário e até mesmo escandaloso.
--Interpretaçoes tendenciosas de factos e de ensinamentos.religiosos; campanhas de opiniao de sentido único (por exemplo, contra o celibato sacerdotal); determinadas declaraçoes utilizadas para fins interesseiros.
--Atitude indiferente ou negativa--e por vezes até mesmo demolidora--dos receptores perante os valores espirituais e a informaçao religiosa nos "media": entre nós, à nossa volta.
3. Efeitos desastrosos ou deploráveis para os espíritos, causados pelos meios de informaçao:
--Dúvida, ecletismo, indiferença e até mesmo revolta (por exemplo, entre os jovens).
II. REFLEXAO EXIGIDA PELA SITUAÇAO
1. É justo que as maravilhosas possibilidades oferecidas pelas novas técnicas de comunicaçao sirvam para o desenvolvimento do homem. De todos os homens e do homem todo. No plano humano e dos valores mais altos, e ao nível das aspiraçoes mais elevadas. Entre estes valores espirituais: os valores religiosos, e para nós, cristaos, a fé, a esperança a caridade.
2. As pessoas têm direito a esses valores, assim como também outros valores, quer se trate da informaçao sobre a vida do próprio grupo religioso (acontecimentos, ensino), quer eventualmente, de formaçao (programas ou páginas de cultura religiosa). Tudo-o que se vive, se faz ou se procura.
3. As instituiçoes que servem o homem através dos valores religiosos (Religioes, Igrejas) têm direito a que das mesmas seja dada uma imagem verdadeira e que a sua sua vida e doutrina sejam apresentadas com objectividade: sem distinçoes de privilégios, mas também sem deturpaçoes.
4. Cada um de nós--pessoa, grupo, associaçao--é responsável pela evoluçao dos "media" e pela sua utilizaçao a favor ou contra o desenvolvimento integral do homem, a elevaçao dos povos (Communio et progressio, 63-100; Aetatis novae, 3).
III. ACÇAO POSSIVEL
--Que podemos fazer para melhorar a situaçao nos diversos "media", tanto individual como colectivamente?
--Felicitar se e agradecer por determinados programas, certos artigos; criticar ou protestar quando é necessário, pedindo rectificaçao ou direito de réplica; lançar recolhas de assinaturas, etc.
--Formar profissionais das comunicaçoes, empenhados em respeitar e promover os valores religiosos.
--Colaboraçao ecuménica: contribuir para que se faça em conjunto tudo aquilo que pode ser feito em conjunto. Conservar a própria originalidade e respeitar a dos outros.
--Aproveitar as possibilidades of erecidas pelo Dia Mundial das Comunicaçoes, para sensibilizar as pessoas sobre estes problemas (Communio et progressio, 135 160; Aetatis novae, 31).
Desde os anos Vinte, verificou-se em França o fenómeno do cinema de vanguarda, perto do movimento surrealista; na Alemanha, no mesmo período, floresceu o cinema expressionista; na Rússia, Sergei Eisenstein e outros realizadores deram vida a um estilo original, que marcaria uma etapa importante na evoluçao da linguagem e da arte do cinema. Indústria cinematográfica e cinema de arte parecem, pelo menos em teoria, seguir caminhos divergentes, mesmo se a situaçao real é muito mais complexa e contraditória do que pode parecer, lendo estas breves notas. Veja-se por exemplo, o caso de Fritz Lang, que, depois de ter realizado na Alemanha algumas obras-primas do cinema expressionista, se transferiu para Hollywood, onde conseguiu fazer conviver as exigências do seu estilo pessoal com as da indústria cinematográfica.
Desde as suas origens, o cinema sempre procurou enfrentar, além das questoes já verificadas pelas formas mais atraentes da literatura e do espectáculo popular (histórias de aventuras, dramas passionais, situaçoes cómicas...), também temas culturalmente mais empenhativos (biografias de personagens históricos, resumos de grandes obras-primas da literatura e do teatro clássico...). Entre estes, encontram-se os filmes tirados das páginas da Bíblia e, principalmente, a Paixao de Jesus, que foi um dos primeiros temas a ser levado para o écran, na sequência das Representaçoes populares, que remontam ao período Medieval, cuja tradiçao se conservou nalguns lugares (como Oberammergau, na Baviera) até aos nossos dias. As primitivas "Paixoes" constituem um capítulo importante da história do cinema, desde as suas origens. Um especialista na matéria contou mais de cinquenta, realizadas antes de 1915.
Mas é evidente que este género de temas, confiados aos recursos da indústria cinematográfica (que nunca cessou de os repropor nos decénios sucessivos, com meios espectaculares cada vez mais grandiosos), nao podem obter senao resultados em parte satisfatórios. A grandiosidade do espectáculo, de facto, nem sempre corresponde o devido aproveitamento, que se pode obter só com um adequado conhecimento da matéria, apoiado pelos recursos da arte. Isto aplica se a tantos filmes que foram realizados sobre a figura de Jesus, sobre outras personagens da Bíblia, sobre os primeiros mártires cristaos. . .
Toda a produçao cinematográfica deste género, muito abundante, caracteriza se geralmente, pelo que diz respeito ao aspecto visual, por um gosto oleográfico (que os franceses chamam saint sulpicien) que, se é verdade que conquista o consenso imediato das pessoas simples, deixa perplexas as pessoas mais exigentes e cultas e, com frequência, provoca a reacçao indignada daqueles que quiseram ver neste género de espectáculos uma especulaçao sobre assuntos religiosos, realizada com objectivos predominantemente comerciais.
Para evitar os enganos da oleografia, diversos autores cinematográficos, dotados de um estilo pessoal, preferiram aproximar se de temas religiosos, e especialmente do drama da Redençao, recorrendo a representaçoes indirectas da Paixao de Jesus. Figuras imaginárias de sacerdotes, ou pelo menos derivadas de obras literárias pré existentes, foram filmadas de modo a indicar a perene actualidade da Paixao, segundo as palavras: "Jesus estará em agonia até ao fim do mundo". Jesus sofre através de outra pessoa, na figura de um sacerdote, que actualiza na sua vida o antigo axioma: Sacerdos alter Christus.
Podem-se recordar, a este prepósito, filmes como The fugitive (1947) de John Ford, Diário de um pároco de aldeia (1950) de Robert Bresson, e Nazarín (1258) de Luis Buñuel. Também Alfred Hitchcok fez algo semelhante no seu filme Eu confesso (1953): As datas aproximadas destes filmes demonstram que se tratou de um período no qual a produçao cinematográfica deste género esteve muito em voga.
Podemos perguntar agora de que modo se manifesta a transcendência no cinema. Nos filmes espectaculares, destinados às massas, que tratam de temas bíblicos, cristológicos ou hagiográficos, e falam de milagrosas intervençoes divinas, fazendo amplo uso dos efeitos especiais?
Nao será mais correcto procurar os traços da transcendência nos filmes que rejeitam os efeitos extraordinários, no sentido espectacular do termo, e antes pelo contrário, procuram o extraordinário no ordinário, o divino no humano, o milagroso no quotidiano?
Pode se alcançar a transcendência servindo-se de uma narraçao cinematográfica de tipo realista, que apresenta factos na sua objectividade essencial?
Ou nao será mais correcto pensar que a transcendência se manifesta no cinema mediante o uso indirecto e alusivo da linguagem simbólica, mais do que na coerência de uma narraçao realista?
A transcendência que, de alguma forma, sempre se encontra nos filmes animados pelo sopro da inspiraçao poética, pode ser tratada de maneira convincente, mesmo em filmes bem realizados do ponto de vista técnico, que nao se podem necessariamente incluir entre as obras primas da arte cinematográfica?
Até que ponto as convicçoes pessoais de quem realiza os filmes se deixam envolver por este género de temas?
Por outras palavras: será necessário possuir o dom da fé para poder realizar um bom filme de tema religioso?
O cinema, nos seus cem anos de história, está impregnado de uma aspiraçao à transcendência, que torna os filmes dignos de ser estudados por quem se interroga sobre o papel da religiao no âmbito da cultura contemporânea. A estas presenças já conhecidas, pertencentes aos diversos ambientes da Europa ocidental, acrescentaram se as de Andrej Tarkovskij e Kristof Kieslowski, significativamente provenientes da Europa do Leste, enquanto que nunca deixou de operar neste sentido o veterano do cinema português Manoel de Oliveira.
Por razoes de brevidade, nao podemos alongar mais a lista destes nomes, aos quais se deveriam acrescentar muitos outros. Nao se pode deixar de pensar nos protagonistas de tantos filmes, sobretudo mulheres, fotografadas nos filmes em intensos primeiros planos, personagens no limite entre o humano e sobrenatural, no acto de superar se a si mesmas. O cinema fez verdadeiramente muito para dizer algo que parte da alma e chega à alma. Com imagens que se vêem e se sentem, o cinema, quando está em plena forma, consegue tornar perceptível aquilo que nao se pode ver nem ouvir.
Muitos realizadores souberam olhar para os fenómenos da natureza, e para a vida do homem que a partir de tais fenómenos se desenvolveu, com uma atitude de observaçao desapegada e ao mesmo tempo partícipe, e contudo, capaz de captar o sentido de unidade superior que a anima o universo criado. Pensemos nos famosos "documentários" de Robert Flaherty. Outros realizadores, como Joris Ivens, souberam captar com a máquina de filmar os momentos mais significativos da luta do homem para conquistar condiçoes de vida mais conformes com a sua dignidade.
Houve um período do cinema italiano, denominado Neorealismo, no qual diversos cineastas pareciam competir para captar na quotidianidade da vida do homem imerso nas condiçoes mais humildes e difíceis, os traços de uma dimensao espiritual tanto mais autêntica quanto mais revestida de um instintivo pudor.
Os nomes de Roberto Rossellini, Vittorio De Sica, Luchino Visconti, Michelangelo Antonioni, Federico Fellini, Pier Paolo Pasolini e muitos outros, juntamente, transformaram o mundo com os seus filmes, vistos e admirados em toda a parte. Juntamente com os grandes escritores e artistas dos séculos passados, estes autores podem ser considerados como embaixadores junto das outras culturas, de uma visao do mundo impregnada de valores humanísticos e cristaos.
Outros filmes, provenientes de diferentes ambientes culturais, referem se a uma ordem diversa de valores que, todavia, mantém com a cultura crista significativas afinidades, como por exemplo, as que se baseiam nos recursos espirituais das antigas civilizaçoes do Oriente. Nos limites impostos pela brevidade destes apontamentos, nao podemos deixar de mencionar os filmes do indiano Satyajit Ray e os do japonês Yasujiro Ozu, impregnados de conotaçoes íntimas que, vistas por um cristao, manifestam os traços das virtudes que os Padres da Igreja, encontrando as outrora nas obras dos autores pagaos, definiram naturaliter cristianae.
Trata-se de filmes que nao se limitam a propor a questao dos valores com um seu conteúdo velado, com o fim de edificaçao ou propaganda, mas inventando de cada vez modos de abordagem da realidade que se manifestam exteriormente, mediante traços ou indícios que, devidamente interpretados, conduzem à descoberta de um mundo interior rico em espiritualidade. O mesmo se poderia observar a propósito de outras cinematografias, muitas vezes pobres em meios técnicos e financeiros, mas ricas em inspiraçao poética e em conteúdos humanos, como muitos filmes da América Latina, da Africa ou do Médio Oriente. Indícios interessantes neste sentido provêm também do recente cinema chinês.
Há, depois, toda a produçao do cinema dito indipendente. Separado, total ou parcialmente, das exigências da indústria do espectáculo, este cinema move se em sintonia com as formas mais avançadas da cultura e da arte actuais e, paralelamente a el-as, manifesta o profundo mal estar espiritual de que sofre o homem no mundo de hoje. Neste contexto, colocam-se fenómenos típicos do cinema moderno, impregnado de fermentos meta-linguísticos, em tensao numa ânsia de verificar ou redefinir os processos em que se baseia a sua linguagem. Vai se do último período da "Nouvelle vague" francesa até às formas menos convencionais do novo cinema americano, nascido na costa atlântica, em contraposiçao à velha Hollywood.
Também sobre estes fenómenos se estende o horizonte amplo da transcendência que, por vezes, se revela carregado de núvens ameaçadoras de um próximo Apocalipse, enquanto que a abordagem nao convencional, que usa materiais derivados do imaginário religioso colectivo, levanta questoes inquietantes, e até mesmo irritantes, sobre o papel da religiao no mundo contemporâneo.
Perante produtos cinematográficos que manifestam este género de problemas, assistiu se, também recentemente, a uma vibrante defesa por parte de quem se sentiu ameaçado nas suas próprias convicçoes. É o caso de perguntar se, em casos como estes, responder ao clamor com um clamor ainda mais forte, seja uma medida adequada de auto-defesa. O cinema é uma forma de cultura já universalmente aceite; mesmo nas suas manifestaçoes provocatórias, exige respostas pacatas e articuladas... Mas, antes ainda de pedir respostas, talvez este cinema espere simplesmente por ser compreendido. . .
| A educaçao para esta leitura é, antes de mais, educaçao para a leitura dos "sinais" e dos "símbolos" litúrgicos, continuamente propostos às crianças no seu caminho religioso e, ao mesmo tempo, educaçao para interpretar os "sinais" da vida religiosa quotidiana, sempre reveladores de uma mensagem. | |
| Ao conduzir a formulaçao e a revisao do questionário, é preciso ter presente que, na criança, é este o período em que se forma o sentido moral e que a nossa orientaçao deve ser clara, serena, esclarecida, educadora do equilíbrio e de uma resposta de fé, consciente e livre. | |
| O tema concreto "a amizade" é aqui tomado e desenvolvido como exemplo. Poderao escolher-se outros temas que suscitem o interesse dos adolescentes, tais como: a liberdade, as profissoes, o desporto, a alegria, a lealdade, ou ainda outros. | |
| Se assim se preferisse, poderia ser aplicado este esquema a uma catequese sobre a música. Neste caso, a reflexao sobre as imagens e a análise das mesmas, seriam substituidas pela reflexao sobre as cançoes e a sua análise. | |
| Poderá fazer-se a análise de um filme, de um programa televisivo, de um romance, quando isso for possível e conveniente. | |
| Considera-se "preparaçao próxima" um acontecimento que compreenda a relaçao entre a Igreja e as Comunicaçoes Sociais, tais como o Dia Mundial das Comunicaçoes Sociais, o Centenário do Cinema, ou outras possíveis datas que a comunidade considere oportuno fixar. |